Dias Fixos

 

Dias Fixos  (Versão 1 Ano)
24 Positivos em porcelana retirados de chapas de gravura encontradas de calendário quinzenal.
Cada Quinzena mede 18x8x0,3cm, 2015

Dias Fixos  (Versão 6 Meses)

12 Positivos em porcelana retirados de chapas de gravura encontradas de calendário quinzenal.
Cada Quinzena mede 18x8x0,3cm, 2015

 

(…). O processo de contrariar o tempo em Dalila Gonçalves é comparável à analogia de Didi-Huberman em “Antes do tempo” (2000), no qual o relojoeiro desmonta o relógio para ver como ele funciona. No momento em que o faz, este deixa de funcionar. Esta paragem, síncope na continuidade da história, é a dialética em suspensão que abre a possibilidade ao relógio para funcionar de outro modo, acertando-o pelo compasso de uma outra temporalidade.

O tempo contestado aparece continuamente ao longo do trabalho de Dalila Gonçalves. Um carimbo antigo, encontrado numa feira e hoje obsoleto, serviu para imprimir as marcas nos vinte e quatro rectângulos de porcelana que formam Dias Fixos (2015). As marcas do carimbo revelam um calendário de entradas e saídas, registo de presenças e produtividade de trabalhadores ao longo de doze meses do ano, por quinzena. Algumas destas placas de porcelana apresentam falhas, mas sempre com as marcas dos registos de um ano que surge aqui numa tentativa de imortalização, paradoxalmente retratado num material frágil e inerentemente efémero. O branco e a ausência de detalhe informativo no calendário acentua a cristalização de um tempo, pela impossibilidade de continuidade no preenchimento de quaisquer registos nestas formas.

 

Luísa Santos, Anozero’15 – textos e ensaios, pág.31

 

 

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